Cazuza foi uma das nossas últimas grandes figuras artisticas. O cara tinha personalidade de artista, alma de gênio. Era agressivo, poético, deslumbrante e corajoso. Hoje, aqui no Brasil pelo menos, todos os nossos ídolos - se é que temos algum que mereça esta importância - são meia-boca, “corretinhos”, camuflados, sem luz própria. Cazuza não! Cazuza escrevia a sua vida e suas loucuras - as mesmas que seus seguidores viviam ou desejavam viver - e vivia estas suas poesias em sua própria vida.
Se estivesse vivo estaria completando meio século e, bem provavelmente, teria encaretado e virado um Caetano Veloso. Não creio em Deus, mas creio que há mistérios que, por mais tristes que possam parecem, são importantes para construção de celebridades de fato. Não que a morte de Cazuza me deixa feliz. Lamento muitissimo a perda de um gênio, mas agradeço mais ainda o surgimento de um Grande Homem, que partiu do plano físico e ainda vive, forte e loucamente, nas canções que nos deixou. A Aids levou um ídolo e deixou sua obra eternizada ao pé de nossos ouvidos.
Obra de um artista que pode ser chamado de símbolo da rebeldia e da irreverência da geração dos anos 80 e que agora ganha uma merecidissima homenagem no Sesc Ipiranga. Trata-se da exposição “Cazuza por ele mesmo”, construída em formato de histórias em quadrinhos a partir de depoimentos do cantor. Ainda estão programados shows, musicais e cinema. O projeto chama-se “Cazuza - O Tempo não Para”.
A exposição começa nessa sexta-feira (25/07) com a exibição do filme dirigido por Sandra Werneck, “O tempo não para” (2004), às 19h no teatro do Sesc do Ipiranga com entrada franca. Logo após a exibição do longa haverá shows com vários artistas interpretando músicas do cantor.
Serviço:Sesc Ipiranga - hall do piso 2 -r. Bom Pastor, 822, Ipiranga, região sul, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3340-2000.
Ter. a sex.: 9h às 22h.
Sáb. dom. e feriados.: 9h às 18h. 10 anos. Até 31/8.
www.sescsp.org.br.
*foto: divulgação

De Cazuza para Cazuza 




