
O site do canal inglês Channel 4 tem uma brincadeira tosqueira, chamada Gay-O-Meter, que desafia o participante a descobrir o quanto gay ele é.
Dentre perguntas variadas sobre hábitos do cotidiano, uma se destaca, por minimamente levantar uma dicotomia presente no imaginário das pessoas:
É melhor ser:
( ) Inteligente e feio
( ) Bonito e burro
# O título “Beauty and the Geek” é o nome de um reality show, batizado no Brasil de “As Gostosas e os Geeks”, onde mulheres lindas e burras formam pares com nerds não muito bonitões, e competem entre si para ver qual dupla vence as disputas onde elas enfrentam testes de inteligência e eles precisam provar que sabem ser garanhões conquistadores.
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O medico canadense Miles Cohen publicou, há alguns anos, no site da National Eating Disorder Information Centre, do Canadá, um ensaio sobre desordem alimentar em gays.
Ele aborda aspectos da auto-imagem dos gays com alguns argumentos pertinentes, ainda que às vezes de forma limitada e simplista.
Abaixo, “highlights” do seu texto, que trata de uma questão que muito aflige o homem contemporâneo urbano: o corpo.
“. Muitos gays sabem, instintivamente, que de alguma forma são considerados pessoas “ruins”, “perturbadas” ou “vergonhosas”, e antecipam a rejeição que, em tese, receberiam das pessoas a sua volta. Esse sentimento leva a um auto-ódio, conhecido como homofobia internalizada, que resulta em baixa auto-estima.
. Sair do armário e buscar a aceitação das pessoas próximas envolve o risco de ser rejeitado, mas é o componente essencial da auto-aceitação. A necessidade em pertencer acaba levando a pessoa a procurar essa aceitação na comunidade gay, onde aprende que isso vai ocorrer sob critérios específicos de aparência. Na cultura gay, quanto mais alguém se faz perceber, mais atenção, reconhecimento e parceiros sexuais obterá. Gays aprendem muito rapidamente a importância de sua aparência na obtenção da atenção desejada e na aceitação.
. E qual aparência que chama mais atenção? A masculina estereotipada. A construção social da masculinidade como algo forte, poderoso e assertivo em oposição à feminilidade - e sua fraqueza e vulnerabilidade - distancia os gays da efeminação e cria um senso de segurança, longe do estereótipo da “bichinha” cabeleireira, e os levando a uma imagem masculina e musculosa.
. Criar a imagem do macho estereotipado é uma tentativa de gays inseguros de reafirmar a si mesmos sua masculinidade e ignorar outros aspectos como personalidade e habilidades, e ainda encorajando os outros a aceitá-los como “heteros e masculinos”. É irônico que, ao se identificarem com uma imagem de macho heterossexual, eles tenham apenas substituído um estereótipo (da “bichinha”) por outro.
. A preocupação com o estereótipo masculino não é diferente da preocupação das mulheres com uma imagem esguia. Na publicidade dirigida ao público gay, todos os homens são idênticos – peitos e abdome definidos e sem pêlos -, assim como na indústria pornográfica. A mensagem é forte e clara: é assim que você tem que ser para ter sucesso, aceitação e ser amado.
. Isso encoraja a idéia de que estes homens devam ser objetos de desejo e que o único jeito de “ter” um homem assim é ser um deles. O foco não é a personalidade, mas a aparência que será desejada e valorizada pelos outros. Gays acreditam que um corpo definido trará felicidade e sucesso, além de se sentirem bem consigo mesmos e desejados pelos outros, deixando de lado questões mais profundas de sua baixa auto-estima e impedindo o crescimento interno de forma mais duradoura.
. Crescer se sentindo excluído, desejando ser aceito e amado em uma cultura que associa amor com aparência física cria uma enorme pressão para se ter o corpo ideal, aumentando a vulnerabilidade dos gays à insatisfação. Um estudo sobre a influência da orientação sexual na insatisfação com o corpo mostrou que o nível de sofrimento dos gays era muito maior do que dos homens heterossexuais, e que quanto maior o envolvimento na comunidade gay, maior a insatisfação com o corpo.
. Ao fazer exercício focando apenas na aparência, e com a mudança do corpo e a positiva reação das pessoas, gays entram num ciclo negativo em que se deposita no corpo toda a auto-estima.
. Gays não costumam lidar com suas dificuldades, e o foco exagerado no corpo é visto apenas como “atividade física”, algo encorajado culturalmente. O foco apropriado deveria ser na saúde, onde o objetivo seria diversão, melhorar o condicionamento e a aparência, não apenas definir os músculos.
. A mídia gay deveria retratar os gays em toda sua diversidade, ajudando os jovens a não cair na armadilha da aparência e os encorajando a construir sua auto-estima de outras formas. Talvez, assim, um dia os gays escaparão da pressão negativa atual, com o fim das questões de aceitação pessoal e pública.”
*Ox Blood, por Esteban
Numa pesquisa recente da Prime Access, 752 consumidores gays (americanos) foram solicitados a ranquear empresas pelo fator gay-friendly. A Apple (uhul!) ficou em primeiro lugar entre as empresas de tecnologia, com 39% dos participantes afirmando que a maçãzinha é culega. Já no ranking geral, a marca ficou em segundo lugar, atrás apenas do canal Bravo (que dominou, com 52%).
As pessoas que responderam a pesquisa também aprovaram a Starbucks, Absolut (com aquele Absolut Disco, como desaprovar?), Levi’s e Baccardi.
Já, entre as marcas que pisam na bola, segundos os participantes, estão: em primeiro lugar, Samsung. Apenas 4% de gayfriendilismo. Ou seja, se algum gay for visto em público com algo da Samsung, corre o risco de levar bronca ou de ver seu produto pisoteado por alguma bicha mais afoita. ahuahuahuah
Logo atrás: Wal-Mart, Frito-Lay, Quaker e Craker Barrel.
Ah, uma curiosidade: lá em cima está o antigo logo da Apple Computers.
Pelo jeito, faz é muito tempo que a marca loves the nightlife / got to boogie / on the disco ‘round, oh yeah…
[por Celso Dossi]