Há algo que cheira muito mal na novela das oito da Rede Globo de Televisão.
Sou um, digamos, fã da trama escrita pelo João Emmanuel Carneiro. Acredito que se trata de um texto digno de estar no altar das grandes histórias já produzidas pela casa e talvez a melhor depois de “Vale Tudo”. Apesar da grande maioria dos espectadores não estar muito afinada com “A Favorita”, o que está forçando o seu autor a antecipar muitos acontecimentos. Entretanto, a novela tem me causado aquele velho e bom desejo de ver logo o capitulo seguinte.
Na contramão disto, temos um fato estranho: a homossexualidade está sendo usada como uma arma antiquadra e polêmica na trama. Não falo nem da bichice sem sentido dos personagens de Iran Malfitano e Cauã Reymond, que de tão vazios, foram exterminados. O personagem de Malfitano sumiu com a desculpa de ter sido internado pelo pai e o Harley, do Cauã Reymond, voltou a atacar as mocinhas. Tudo na normalidade que agrada a rapaziada “familia” que dá Ibope. Mas vira e mexe aparece um novo “homossexual” na história: o político que cai em desgraça porque dizem que tem um filho com outro homem e agora é a vez de Walmor Chagas (foto) encarnar um médico que adora pegar michês no parque.
Não falo mal do fato de se abrir uma série de discussões em cima de perfis distintos de personagens, assim como acho válido o fato de vermos o assunto “homossexualidade” presente, mas me cheira mal sentir que só quando se quer denegrir, humilhar ou subjugar alguém é que se usa a “homossexualidade” em “A Favorita”. Não vi nada positivo ainda. Nada que nos dignifique ou tenha sentido. Sei que somos uma diversidade e também somos foco de toda uma gama enorme de preconceitos, mas que só isso ganhe espaço numa trama de tanta audiência, não me soa nada feliz. É como antigamente, quando negros só apareciam como motoristas, cozinheiros, assaltantes pé-de-chinelo (não confundam com o fato de ter um ator grandioso como o Milton Gonçalves fazendo um vilão magnífico como o que está no ar!) ou em novela sobre escravos.
Que tal um personagem gay assumido que é presidente da principal empresa de uma novela com conflitos em seu relacionamento? Ou um homosseuxal suspeito da morte de um outro personagem no centro da trama? Algo mais dentro de um contexto “normal”, longe do uso de nossa “condição” como arma. Uma arma que tanto pode atirar e matar um de nós, ou sair pela culatra.
E daqui a pouco, segundo boatos, Lillian Cabral verá sua personagem perdida entre o marido mau-caráter e uma amante do mesmo sexo. Já estou com medo das cenas e falas que teremos que presenciar.
“Como adiantou o ator Iran Malfitano ao Mix, Orlandinho ainda não sabe se é gay ou não, mas tem uma atração diferente por seu amigo Halley. “Ele é um playboy, mauricinho, rico, gosta de carros. Ele não é exatamente um homossexual, ele se pergunta se é ou não. É um conflito por causa da situação dele com seu amigo Halley”, contou. É esperar para ver.” - Mix Brasil
Será que os autores e produtores de telenovelas no Brasil ainda não descobriram que os gays atualmente tem outros dramas em suas vidas que vão bem mais além de rótulos e outing. Pelo amor de Deus, parece que o fator “gay” surgiu ontem aqui no Brasil, porque entra novela e sai novela só temos personagens com conflitos sexuais ou, pior, bichinhas sofrendo por bofes marginais. Isso quando não passam capítulos sem fim apenas aparecendo como o casal bonzinho que vive como amiguinhos, ou são solitárias melhores companhias pras mocinhas… Que saco!
Enquanto lá nos EUA os personagens gays vivem dramas normais, aqui tudo gira em torno de ser ou não gay, de dúvidas… será que não tem um gay na Globo para orientar melhor o povo lá?
Sei…
Ai que falta faz um incêndio (como aquele que varreu a Universal Studios) por aqui…
Termina hoje o único programa que me faz ligar a televisão: Caminhos do Coração.
O último capítulo da novela vai ao ar às 20h40, tentando chochar a estréia de A Favorita.
Caminhos, que bate recordes de audiência, dará adeus em grande estilo: numa cena de perseguição, centenas de lobisomens irão invadir a rua do Teatro Municipal de São Paulo. Quer mais? A avenida Paulista explodirá. Tudo, claro, com efeitos especiais de primeira
Para quem nunca assistiu (tem uma coisa ou outra no youtube), um rápido resumo: homem audacioso abre clínica de mutação genética no Guarujá (hahahaha), criando uma caralhada de mutantes bem brasileiros, que no momento se encontram trancafiados numa ilha. Em outras palavras: um Heroes meio Lost bem pé-na-lama.
Tem a Suyane como Sereia Iara, a ex-Miss Brasil Natália Guimarães (foto) de Mulher-Aranha, o Minotauro, a Mulher-Pantera, o Meduso (!), o Velaciraptor (tem, tem dinossauro também), vários lobisomens (um que fala quatro línguas), Menina-Anja, Menino-Lobo, Garota-Águia, Veado-Elzeiro (tá, esse não tem, não).
O texto, então, é um espetáculo à parte (Atravesse a Marginal Tietê agora e se jogue na frente de um caminhão, minha mente te ordena!).
Para aqueles que, como eu, estão se sentindo orfãos, uma ótima notícia: Os Mutantes – Caminhos do Coração, a continuação da novela, começa amanhã
Só para sentirem o drama: a Ítala Nandi toma um elixir da juventude na segunda e volta terça na pele de Babi Xavier. Tá bom assim?
Só não entendo porquê não colocam a Leila Lopes como Mulher-Boquete…
*Colabora: CELSO DOSSI

E finalmente aquela m… de novela das oito muito mal escrita pelo Aguinaldo Silva (foto) acabou!!! Assim ficamos livre de seus personagenzinhos tão ultrapassados e podres. A trama parecia escrita no inicio dos anos 90. Cheia de ditadores, vilões que se tornam mocinhos pelo amor e mocinhas sofridas que decidem se fingar, mas no final apenas querem promover sustinhos tolos nos espectadores. Sem falar na falta de propósito dos ataques de racismo e homofobia presentes o tempo todo na trama. Já não estava aguentando mais ligar a televisão e ver tantos narizes torcidos, e comentários pejorativos, para sexualidade e as escolhas alheias. Era muita “bambi” para todos os lados, muito preconceito descabido numa novela que deveria se mostrar mais atual.
Depois de tantos casais gays e gays solitários inexpressivos na televisão brasileira, me diz sinceramente se a gente precisava de um Bernadinho e seu amante marginal Carlão. Eu sentia era vergonha! Parecia um retrocesso: era a bichinha frágil e boba cedendo ao comedor.
Fora que foi triste demais ver 3 capitulos seguidos com dois personagens importantes em cenas sem menor necessidade e um final com um juiz de direito celebrando um casamento gay sob seu olhar reprovador e um desabafo: “nunca vi tanta frescura”. Ótima visão dos gays, hein, seu Aguinaldo! Ainda mais vindo de uma bichona das antigas como o senhor… deveria se envergonhar disto! Aliás, eu me envergonho de ter um cidadão como você na comunidade.
E quanto a Rede Globo-católica-apostólica-romana, seria legal que acontecesse um incêndio poderoso como este que varreu a Universal este final de semana. Assim quem sabe não queimavam uns caretas na alta cúpula, ou mesmo tirava do mapa tramas tão insignificantes e desprezíveis como esta. Mas aí vem mais um gay. Mais um tolo que ficará seduzido por mais um personagem marginal… aí, lá no final da novela, o autor vai levantar novamente a sua audiência polemizando o beijo entre iguais e… o Ibope irá as alturas!
Um bom boicote a Vênus Platinada resolveria! mas aqui é Brasil, né.
Temperada com pouca pimenta e muito açúcar, a nova novela da Band, Água na Boca, de Marcos Lazarini, promete trazer o clássico Romeu e Julieta nos moldes contemporâneos, sem apelar para nudez e tiros para segurar o público. Dessa vez, a rivalidade fica entre os Cassoulet, família de ascendência francesa dona do sofisticado restaurante Bistro Paris, e os Bellini, italianíssima família que comanda a “bagunça” da Pizzaria Mamma Mia. leia mais…
Qual a chance desta novela durar? Abertas as apostas.
*foto e texto retirados do caderno TV&LAZER do Estadão.