Pedro é o autor da exposição “Entre Amigos & Amores”. Abaixo uma entrevista com o artista e uma galeria de fotos.
Qual seu objetivo com o trabalho “Entre Amigos & Amores”?
Esta obra tem várias ambições; no plano fotográfico de registrar esses locais e comunidade homossexual, o que nunca foi feito antes na foto brasileira e tem um repertório muito pequeno na fotografia mundial. Mas fazer isso de uma maneira experimental: ousando, recriando, distorcendo as imagens que além de retratar o “real” possam expressar a atmosfera dos locais e os sentimentos das pessoas.
Essa exposição de São Paulo traz alguma novidade?
Sim, o “Entre Amigos” é uma “obra em progresso” continuo fotografando os lugares gays e para essa exposição incluí uns ensaios que fiz no subúrbio e baixada fluminense. Esses lugares tem características muito peculiares e diferenciadas do estilo de vida do publico gay do centro e zona sul cariocas.
Como surgiu esse “nova parte” do seu trabalho?
Como em toda exposição eu tinha um livro de assinaturas, as pessoas deixavam comentários e eu lia. Então alguma delas deixou um comentário bem dramático e engraçado que dizia, “Adorei sua exposição Pedro, mas olha, você se esqueceu de nós do subúrbio e baixada, nós existimos!! Não se esqueça de nós!!!!” (escrito assim com esses trezentos pontos de exclamação rssss). Eu achei o máximo essa declaração e parti pra essa empreitada.
E você havia realmente se esquecido deles?
Não. O que houve foi o seguinte: eu nunca tive nenhum tipo de apoio financeiro ou logístico pra fazer o “Entre Amigos”, foi tudo feito no peito e na raça. Na zona norte não existem boates, elas só acontecem nos subúrbios e na baixada fluminense (as da baixada nem são da cidade do Rio, pois são outros municípios, mas culturalmente são cariocas sim), que estão muito longe. E eu não tinha segurança alguma para mim e pro meu equipamento, nem transporte para me levar e me trazer nas madrugadas. Além disso, apesar de ser conhecido no meio gay por ter escrito e fotografado durante anos para os sites e revistas gays, isso valia mais pra zona sul. Na baixada eu era totalmente desconhecido e não tinha entrada liberada aos locais para fotografar. Com o sucesso da exposição meu nome circulou, as pessoas já sabem quem eu sou e pude ter acesso aos locais. Mas também não é só isso, tem um outro fator importante.
Qual fator importante?
Quando fiz “Entre Amigos & Amores” parti do princípio de que o publico gay do subúrbio e a baixada “ desce” para as boates e bares principalmente do centro do Rio (que estão na versão inicial da obra), porque aqui o ambiente tem um pouquinho mais de liberdade, e eles estão bem longe das suas famílias, do seu ambiente de trabalho e podem ficar á vontade. Os laços familiares no subúrbio são muito fortes, mas infelizmente a opressão familiar e a vigilância também. Com isso muita gente fica dentro do armário e acha melhor vir para o centro e a zona sul do Rio se divertir.
Do ponto de vista pessoal em que essa nova experiência te acrescentou?
Vou citar a famosa frase do Joãozinho trinta, mas ao contrário e recriada: quem gosta de luxo é o pobre, intelectual gosta é daquilo que é popular. Me apaixonei pelo subúrbio. No ultimo dia do FotoRio 2007 eu estava sentado numa mesa cheia de fotógrafos famosos e o papo entre eles era: um que vinha do exterior tinha adorado a Cidade de Deus, e queria morar lá um tempo, um outro, brasileiro, estava louco pra ir num local da África fotografar. Eu pensei “gemtem eu achava que só eu era diferente!”. Depois fomos todos felicíssimos pra um subúrbio longíssimo assistir um show. Mal sabiam eles que eu já estava fotografando e freqüentando aquele lugar faz tempo.
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Entrevista com Pedro Stephan 











