Sempre que se fala de AIDS, coisas me vem a cabeça. Outro dia, o Fabrizio, se não me engano, levantou a lebre por aqui, perguntando quem namoraria um soropositivo - ou pelo menos, sabidamente soropositivo -, pois convenhamos que muitos de nós já deve ter ido para cama com um parceiro que tinha o virus e não nos informou ou ele mesmo não tinha ainda ciência do fato. Eu, por exemplo, só poderia descobrir se tenho o virus nos meus exames anuais, e acredito que muitos dos que me leem também.
A AIDS já provou que veio para ficar. Não adianta, vão existir medicamentos, o tempo vai passar, mas ainda por muitos anos ouviremos casos de novos contágios. Só que eu acredito que as mortes serão mais raras e, se deus quiser, a contaminação deverá diminuir. Temos que nos conscientizar. Claro que não é assim só falando e com discursos lindos que a coisa melhora, vamos agir!
Mas uma coisa mais grave sobre o HIV me perturba: a questão social. Como podemos esperar que sejam sinceros conosco, se o que damos em troca é o abandono.
Eu explico: muita gente acha que um cara soropositivo (eu também já pensei assim um dia) tem a obrigação de dizer que o é ao embarcar em suas aventuras sexuais, ou mesmo ele não pode mais ter as tais aventuras e precisa ser “mais sério, afinal foi a promiscuidade que o fez assim”. E por ai seguem os discursos do preconceituosos, medrosos e toda sua corja de desinformados e desinteressados.
Não podemos decretar a morte de um cara que contraiu HIV, nem condenar alguém por isto.
Vou tentar dividir e explicar meus pensamentos - tarefa dificil!
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Confessar-se soropositivo:
Você diz para cada pessoa que beija que já teve herpes? Ou que teve algo assim contagioso? Você mesmo, já parou e pensou se estivesse contaminado se sairia explicando sua história e se expondo por ai?
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Parar com a vida sexual:
Você acha justo que uma pessoa pare de viver, sexualmente falando, por conta de um virus, que não é simples, mas não é o fim do mundo? Embora já se tenha pensado muito assim um dia.
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E a maior das questões: VOCÊ IRIA PARA CAMA COM UM SOROPOSITIVO? Ou melhor, você já foi com um? E não falo mais aqui daqueles que não sabemos contaminados.
EU JÁ FUI! Claro que já devo ter ido também com muitos que nem desconfiei. E confesso que a minha reação ao saber não foi das melhores. Fiz cara de moderninho e mente aberta, mas por dentro estava trêmulo e as primeiras vezes não fluiu como seria sem a consciência de estar ao lado de alguém que me “apresentava um perigo real e sabido”. Porém aquele namoro de 3 meses (ele acabou por não se aceitar em uma relação com um soro-discordante) me fez crescer muito. Não, nunca quis a medalha do bom-moço ou do salvador, como ouvia de alguns, estava apenas a fim de curtir o sexo e o amor de um cara que amava e fazia me sentir muito bem ao seu lado.
Depois deste relacionamento eu aprendi a pôr o cérebro antes da cabeça do pau e o preservativo no meio, pois antes eu sempre curti um bareback. Confesso também que andei, mesmo depois desta experiência, fugindo da regra, mas logo me eduquei e passei a cuidar mais de mim para poder cuidar também de um futuro novo parceiro que poderia surgir e até se tornar mais duradouro. E quando falo que pus o cérebro na coisa, não quer dizer que passei a pensar mais e tornei o sexo algo chato e calculado, apenas mais seguro e prazeroso, porque quando se vai para a cama com culpa, nem viagra dá jeito. Ainda neste periodo também descobri que o sexo bom é aquele que se faz com consciência e sem papéis muito definidos, mas sempre se respeitando e respeitando o parceiro também.
Aproveito também para dizer que estou longe de condenar os praticantes de bareback e sim condeno todo e qualquer pessoa que ponha a vida do próximo em risco. E também vejo o que chamam de promiscuidade com outros olhos. Ser promiscuo para mim é mais complexo que simplesmente se aventurar em busca de prazer consciente e responsável. Só que ai entramos em uma discussão maior e um dia volto neste ponto.
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Hoje é um dia muito importante. É o dia em que toda a Humanidade deve parar e refletir sobre como combater e se prevenir contra um pequeno virus que pode nos exterminar. Mas acho que o mais importante no dia de hoje é raciocinarmos sobre o que fazemos para evitar que algo pior que o virus nos extermine: o preconceito.
Aproveite este primeiro de dezembro para PENSAR e REFLETIR sobre como você vê a AIDS e seus possiveis parceiros e amigos soropositivos. E ore (a sua maneira, seja lá um homem de fé ou não) não somente pelo “fim” da AIDS, mas pelo fim deste sentimento contra os que a possuem. E lembre-se que o pior da vida é o preconceito, o resto resolvemos com atenção e cuidado.

*do portal G1

Muita coisa na cabeça. Muita consciencia. 




