Os serviços de energia começariam a desligar. Em uma cidade como Nova York, as bombas nos metrôs seriam desligadas e a água invadiria tudo. As ruas acima entrariam em erosão rapidamente e desabariam. Em alguns dias, a natureza começaria a espalhar-se.
O exterior dos edifícios e construções ficaria imundo, racharia, e a vegetação começaria a se enraizar. Passo a passo, um estranho e novo ecossistema urbano começaria a se desenvolver. E rápido.
Dez anos depois e o Central Park está se tornando um vasto pântano, como era no começo.
Cem anos passam e a infra-estrutura de aço de muitos prédios está sendo corroída. As fachadas estão se soltando. Alguns começam a cair. O que antes eram agitadas avenidas, agora são canyons.
Mil anos depois e quem sabe? Com o aquecimento global e a proliferação de descendentes de animais de zoológico, o Central Park começaria talvez a se parecer com algum lugar da África.
Dez mil anos se passam. Talvez algum traço da nossa civilização permaneça, e não apenas o lixo tóxico que geramos para termos combustível para nossa existência.
Uma Terra sem pessoas provavelmente seria muito diferente. Mas quem saberia disso?
Uma nova pesquisa mostra pela primeira vez que processamos dinheiro e valores sociais na mesma parte do cérebro (o corpo estriado) – e que provavelmente contrapomos um ao outro quando tomamos decisões.
Então o que é mais importante – dinheiro ou posição social? Pode ser o último, de acordo com dois novos estudos publicados na revista especializada Neuron.
“Nosso estudo mostra que tanto em termos comportamentais quanto no cérebro, as pessoas atribuem importância ao status social”, afirma Caroline Zink, pesquisadora de pós-doutorado em neurociência no Mental Health Institute (NIMH) dos Estados Unidos. “Sua influência é colossal, mesmo quando não estamos em competição direta com outra pessoa.”
Foram realizados exames de ressonância magnética em cérebros de 19 voluntários enquanto as pessoas participavam de dois exercícios diferentes. A primeira tarefa era um simples jogo no qual cada participante tinha que escolher uma entre três cartas na esperança de ganhar um prêmio em dinheiro. No segundo jogo, avaliadores fictícios julgavam o caráter dos voluntários com base nos resultados de questionários de traços de personalidade.
Os pesquisadores descobriram que o corpo estriado ativava-se em resposta a avaliações altas e baixas (mas não reagia muito a comentários neutros); ele também respondia a ganhos e perdas monetárias, mas ficava quieto se o jogador simplesmente zerasse seus ganhos e perdas.
“A implicação do nosso estudo é que tipos diferentes de recompensa são codificados pelo mesmo ´sistema monetário` permitindo a comparação entre eles”.
No estudo do NIMH, pesquisadores fizeram tomografias de 72 voluntários enquanto eles tentavam ganhar dinheiro num jogo de computador. Durante o jogo, os pesquisadores ocasionalmente revelavam como os supostos competidores (que, sem que os participantes soubessem, eram falsos) estavam se saindo.
“Descobrimos que o cérebro reage fortemente a outros jogadores e de maneira específica ao status de outros jogadores. Não estávamos esperando uma resposta tão profunda”, acrescenta Caroline Zink, observando que o voluntário parecia estar preocupado com a hierarquia dentro do jogo mesmo quando não havia conseqüências em relação ao dinheiro que podia ganhar.
“Nossa posição em hierarquias sociais influencia fortemente a motivação, bem como a saúde física e mental”, afirma Thomas Insel, diretor do NIMH.
* Matéria de Nikhil Swaminathan, publicada na Scientific American Brasil