Em apenas 30 dias, dois icones gays (do século passado) passaram pelo Brasil. Madonna fez cinco shows entre Rio e São Paulo, e causou a histeria geral. Elton John passou ontem pelo palco no Sambódromo de São Paulo e… nada! Muita gente até se aventurou a ir ao show, mas não ninguém que eu conheça. Pelo menos, ninguém quis assumir. E gente, como eu, preferiu trocar a multidão pelo conforto do lar, cercado por amigos, boas garrafas de vinho, um projetor HD e um mega telão… todo o conforto que a vida moderna pode oferecer. Sem pagar ingresso. Quer dizer, somente a mensalidade da Net HD.
O Elton John que se apresentou ontem em São Paulo foi um clone. Assim como Madge que anda cercada por sósias, Elton mandou sua cópia ao Brasil. Será assim no Rio?
O show foi um tédio só. Músicas pouco empolgantes, tocadas por um time de dinossauros (de verdade) da música inglesa. O baixista parecia que ia infartar em pleno palco. O baterista e sua camisa extremamente rosa (que aparecia mais que o popstar) nos vendia a preguiça. E a noite inteira foi assim. Elton sentado, sem nenhuma saudacão para seu público. Público com preguiça daquilo. E muita gente que pagou caro (carissimo!!!) para não ver nada, porque a produtora PlanMusic - responsável por trazer o astro - simplesmente montou torres de controle (típicas destes tipos de espetáculos) na frente de muita gente.
Para ajudar no espetáculo da preguiça, a Rede Globo decidiu que não poderia deixar de atender os milhões de analfabetos que, Brasil a fora, assistiram ao programa. Legendas da letra traduzida (literalmente) gritavam na tela sobre uma arte tosca. Tosca também era a tradução. Momentos grandiosos das legendas deverão ficar colados (como chiclete de péssima qualidade) em minha mente. Que tal ver “Daniel” traduzido em legendas como: “Daniel, meu irmão, entrou no avião”???? Ou erros básicos como trocar “mais” por “mas” na frase “mas, mas do que nunca” e por ai tentaram superar todos os possíveis acordos ortográficos.
Muitos vendo o show se perguntaram se Elton John teve o mesmo fim do Paul McCartney, que já morreu e hoje tem um robô em seu lugar.
Elton teria sido melhor se tivesse vindo se apresentar no HSBC ou no Credicard Hall. Não para milhares de pessoas em uma das piores locações de São Paulo.
E por fim, não podemos deixar de comentar do enoooooorme painel de led instalado no fundo do palco. Enquanto a titia Madonna usou e abusou da tecnologia, Elton pôs a coisa lá para ficar exibindo imagens de descanso de tela do windows. Gente, por que não convidaram o vj Rodrigo Sucesso para fazer a coisa? (rs) Aquele lance de formas geométricas e corações vermelhos flutuantes intercalados com o nome do artista parecia projeção de festa de quinze anos dos meus áureos tempos de suburbão carioca, quando a meninada ia para a festa da afortunada do bairro em um salão de baile. Tsc!
Sir Joãozinho já fez coisas grandiosas, mas no Brasil perdeu a chance de mostrar que é eterno e atual (claro que nunca será uma Madonna, mas ficar parado nos anos 80 não dá!). Melhor mesmo é ter o blu-ray do show (que aliás é a mesma coisa que vimos ontem) e assistir em casa com os amigos para descontrair em boas gargalhadas…e ficar bem longe da legendagem primorosa da Vênus Platinada.
Agora yo me voy para Bu-Crazy (traduzindo, no esquema Globo de legendagem: Butantã) visitar uns amigos.


Elton John e as legendas da incompreensão 




